quinta-feira, 19 de setembro de 2013
PT prepara caminho para romper com o clã Sarney no Maranhão em 2014
Saída do vice-governador petista também possibilitaria a Roseana uma manobra delicada: colocar o secretário da Casa Civil, seu candidato, no comando do Estado
do iG
Discretamente o PT
prepara o terreno para pôr fim à incômoda aliança com a família Sarney
no Maranhão. Nas últimas semanas, integrantes da direção nacional
mandaram recados ao vice-governador Washington Luiz (PT) para que ele
aceite a proposta da governadora Roseana Sarney (PMDB) de se afastar do
cargo e aceitar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Com isso, o partido
espera quitar as dívidas políticas com os Sarney e ter liberdade para
apoiar a candidatura de Flavio Dino (PC do B) ao governo do Maranhão.
Pesa na tática petista o delicado estado de saúde do senador José Sarney
(PMDB-AP) e falta de um sucessor à altura dele no clã.
Cresce a possibilidade de Roseana lançar-se novamente ao Senado
O afastamento de
Washington abriria caminho para uma manobra delicada que, segundo
petistas e aliados de Roseana, está nos planos da governadora como forma
de preparar o terreno para que seu secretário da Casa Civil, Luís
Fernando Silva, candidato oficial do Palácio dos Leões, assuma o governo
em pleno ano eleitoral.
A manobra seria a
seguinte: antes, ela convenceria o vice a assumir uma vaga no TCE. Dessa
forma, com a vacância no cargo de vice, ela teria condições para deixar
antecipadamente o governo e convocar eleições indiretas para o cargo.
A Constituição do
Maranhão prevê, em seu artigo 60, que em caso de vacância no cargo de
governador ou vice serão seus substitutos o presidente da Assembleia
Legislativa ou do Tribunal de Justiça do Estado. Eles, em caso de
vacância do cargo de governador nos dois últimos anos de mandato, são
obrigados a convocar eleições indiretas para o governo, conforme
determina o inciso I, do artigo 61 da Constituição do Estado.
Essa ideia,
entretanto, é vista com uma certa ressalva inclusive pelos aliados de
Roseana. Isso porque não há garantias de que a Assembleia Legislativa do
Maranhão vá confirmar o nome de Luís Fernando Silva no governo do
Estado. Em 2003, em manobra semelhante, a família Sarney perdeu o
controle da Assembleia Legislativa na gestão de José Reinaldo Tavares
(PSB), ex-integrante do grupo que se rebelou contra os Sarney e abriu
caminho para a eleição de Jackson Lago em 2006.
A cúpula petista dá
total apoio à manobra e tenta convencer Washington a aceitar a vaga no
TCE. O vice tem recusado a proposta e continua irredutível na intenção
de assumir o governo mesmo que seja apenas por alguns meses. A direção
petista avalia que, se conseguir eliminar o entrave para o plano de
Roseana, estará quite com a família Sarney e ficará livre para apoiar
Dino.
O principal
objetivo da manobra de Roseana seria cacifar seu candidato à própria
sucessão. Há aproximadamente três meses, Silva vem inaugurando obras e
participando de ações do governo do Estado visando ser mais conhecido no
interior, onde ele ainda é tido como um desconhecido. Fontes ligadas à
Roseana afirmam que esse tipo de iniciativa vem dando um grande capital
político a Silva.
O segundo objetivo
diz respeito à disputa pelo Senado. Apesar de não admitir isso
publicamente, começa a crescer dentro do eixo sarneísta a possibilidade
de a governadora do Maranhão lançar-se novamente ao Senado. Em tese, o
homem apontado pelo Palácio dos Leões para a disputa da vaga é o atual
ministro do Turismo, Gastão Vieira. Mas Vieira afirmou a interlocutores
na festa de casamento de uma das netas do presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP), em julho, que não tem mais “idade” para uma disputa ao
Senado. Ele prefere tentar mais um mandato como deputado federal.
Sem opções de nome
do grupo ao Senado, Roseana deve se lançar candidata na vaga que será
deixada no Estado por Epitácio Cafeteira (PTB-MA) no ano que vem.
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