Pros estreia na Câmara prometendo dificultar votação de vitrine eleitoral de Dilma
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MÁRCIO FALCÃO
DE BRASÍLIA
Recém-criado e com 21 deputados, o Pros (Partido Republicano da Ordem
Social) estreou nesta terça-feira (8) prometendo dificultar a votação da
medida provisória do programa Mais Médicos, que é considerado por
aliados a principal vitrine para a reeleição da presidente Dilma
Rousseff.
DE BRASÍLIA
Os deputados começaram a discutir o texto no fim da tarde. O Pros, no entanto, anunciou que vai obstruir a votação. A estratégia foi definida na primeira reunião da bancada realizada na tarde de hoje. Nos bastidores, integrantes do novo partido admitem que a movimentação é um recado ao Planalto de insatisfação com a "falta de atenção".
Os deputados da legenda reclamam que o ministro Alexandre Padilha (Saúde) se reuniu com líderes da base aliada, mas não procurou a bancada para tratar do tema. Eleito líder do partido na Câmara, o deputado Givaldo Carimbão (AL) disse que vai telefonar para o ministro na tentativa de promover uma conversa na bancada sobre o programa ainda nessa quarta-feira (9). "Mantemos a obstrução até falarmos com o ministro", disparou. A bancada se juntou ao DEM e o PPS, além do Solidariedade na obstrução.
Originalmente, o Pros se classifica como "tendência governista". O partido chegou a conversar com ministros sobre a atuação no Congresso, mas ainda discutem se vão pedir cargos ao governo.
O presidente do Pros, Eurípedes Júnior, disse que, apesar do alinhamento com o governo, a bancada é totalmente independente. "Há uma tendência governista, mas somos totalmente independentes. Eu quero manter uma independência", afirmou.
Na conversa com os deputados, Eurípedes disse que não terá "ordem de cima para baixo" para orientar as votações no Congresso e cobrou uma postura imaculada dos correligionários. "A atitude de vocês vai influenciar lá na frente", disse. "Não é possível começar tudo do zero de novo", completou afirmando que a bancada é "formada por um timaço".
A adesão de parlamentares ao Pros foi menor do que esperado pelos dirigentes. O partido chegou a anunciar a filiação de 28 congressistas, mas sete recuaram e ficaram de fora.
RACHA
A bancada do Solidariedade, que também deu largada aos trabalhos, enfrentou um racha entre seus integrantes para a definição do primeiro vice-líder do partido. O posto foi prometido pelo presidente da legenda, Paulo Pereira (SP), ao colega Arthur Maia (BA), mas Luiz Argôlo também lançou seu nome. A reunião encerrou sem que o impasse fosse resolvido.
"Espero que seja respeitado esse acordo que tinha feito", disse Paulinho.
No encontro, os 23 deputados do Solidariedade decidiram ainda formar blocos temáticos na Câmara. A ideia é procurar partidos para compor uma força para pressionar pela aprovação de projetos que tratem de propostas de interesse do partido, com o fim do fato previdenciário. Entre os possíveis parceiros estão PSB, PPS e PTB. "Queremos incomodar e conseguir aprovar nossas bandeiras", afirmou Paulinho.
O presidente do partido disse ainda que os temas centrais serão relacionados aos trabalhadores e ao setor produtivo.
Líder do Solidariedade, o deputado Fernando Francischini (PR), disse que o partido será independente no Congresso e que uma das ideias é se destacar na discussão de questões orçamentárias.
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