domingo, 29 de setembro de 2013
Um convite a destempo para Bira
É notícia uma carta do presidente estadual do PT, Raimundo Monteiro, em
resposta a alguma solicitação do deputado estadual, Bira do Pindaré
(também do PT), por espaço na propaganda partidária de rádio e de tv. O
deputado não faria tal pedido se já não estivesse com as malas no
corredor. Não seria tão tolo para morder a isca voluntariamente, ainda
mais no meio da disputa interna do partido. Falando em nome do próprio
PT, e fazendo ouvido mouco ao movimento chamado "resistência petista",
Monteiro "convida" Bira a sair do partido, sem nenhum remorso,
aproveitando a deixa.
Para o grupo de Washington, a saída das lideranças da resistência
petista é mais do que um sonho; é uma necessidade. Faz parte de uma
outra construção partidária, com outros objetivos e outros compromissos.
Os resistentes internos fazem de conta que não entendem o processo e
alimentam esperanças de trazer o PT para as antigas e históricas
bandeiras de luta. Lutam aqui contra o grupo Sarney, mas se abraçam com
ele em Brasília.
O deputado federal, Domingos Dutra já havia até se despedido, confiante
de que a Rede (partido de Marina) atingiria as assinaturas suficientes
para a criação do novo partido. Agora, acredito que terá dúvidas quanto a
isso e já deve costurar um plano B, para a sua situação delicada.
O caminho natural de Bira deveria ser também a Rede, mas o número aquém
de assinaturas o deixou na mesma situação de Dutra. O que farão os dois
deputados do PT é assunto para os próximos capítulos. O problema é que a
contaminação dos demais partidos da chamada "esquerda" no Maranhão faz
saltar os olhos. Dentro da ampla coalização desses grupos, com
possibilidades amplas para regalias partidárias, terão que dividir o
oxigênio com a improbidade administrativa, o latifúndio, o clientelismo e
o patrimonialismo que tanto combateram. Os que teimam em defender as
mesmas bandeiras são agora taxados de partidos radicais de esquerda.
Tudo indica que o movimento que farão cederá espaço para a ideologia e
levará muito mais em consideração a sobrevivência política com mandatos.
Para muitos, são tempos bicudos para se refazer utopias.
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