De Cuba para polo de saúde indígena no Maranhão
Hostilizado ao chegar ao Brasil, Delgado vai cuidar de índios em região a 316 km de São Luís
MARANHÃO (O GLOBO) — Há uma semana no Maranhão, o médico cubano Juan Melquiades Delgado, de 49 anos, não guarda mágoa da recepção que teve ao desembarcar em Fortaleza, quando foi hostilizado e chamado de “escravo” por seus colegas brasileiros.
MARANHÃO (O GLOBO) — Há uma semana no Maranhão, o médico cubano Juan Melquiades Delgado, de 49 anos, não guarda mágoa da recepção que teve ao desembarcar em Fortaleza, quando foi hostilizado e chamado de “escravo” por seus colegas brasileiros.
— A escravidão em
Cuba acabou em 1868. Viemos para o Brasil por livre vontade e para
ajudarmos a combater a mortalidade infantil e materna — conta Delgado,
que acredita que a reação dos brasileiros seja por conta do temor de que
os cubanos resolvam ficar no país: — Tenho mulher e filha e um contrato
de três anos, para depois retornar ao meu país, onde já há trabalho me
esperando.
No Maranhão, Delgado é um
dos sete médicos que vão trabalhar nos sete distritos indígenas do
estado. Antes de viajar, ele passará uma semana em São Luís para
participar de reuniões com a Secretaria Especial de Saúde Indígena do
Ministério da Saúde. O objetivo é que tome conhecimento da cultura
indígena. Em seguida, vai para o Polo Base de Saúde Indígena de Zé Doca,
a 316 kms de São Luís, onde os índios vivem em constante conflito com a
população do município devido a extração ilegal de madeira.
Na
região, o atendimento de saúde é precário. Em outubro do ano passado, o
Ministério Público Federal propôs uma ação civil contra a União pelas
péssimas condições de funcionamento do Polo Base. Auditorias do
Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária apontaram problemas na
estrutura física e insuficiência de medicamentos e refeições. Ontem, a
Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde no Maranhão
informou que a situação já foi resolvida, e que tudo será explicado aos
médicos na próxima semana.
— Vamos
mostrar a situação e apresentá-los à cultura de cada etnia para que
possam se adaptar a essa nova realidade — disse um funcionário, que não
quis se identificar.
Para Delgado,
trabalhar com índios será uma experiência nova. Formado em medicina
geral integral (medicina familiar) pelo Instituto de Ciências Médicas
Santiago de Cuba desde 1994, ele garante que não há problemas com a sua
documentação para que consiga o registro do CRM do Maranhão:
— Está tudo em ordem, pois todos os documentos foram avaliados pela embaixada do Brasil em Cuba.
No
Maranhão, o CRM entrou na Justiça para não ser obrigado a conceder o
registro provisório dos 37 médicos estrangeiros que vão atuar no estado.
Presidente do conselho, Abdon Murad diz que há problemas com a
documentação. Representante do Ministério da Saúde no Maranhão,
Thatianny Soares afirma que “tudo está em ordem”.
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