EUA dizem que questionamentos do Brasil sobre espionagem são legítimos
Conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca afirma, porém, que algumas notícias ‘distorcem’ atividades da agência americana
Cláudia Trevisan - Correspondente de O Estado de S.Paulo
WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos afirmou nesta
quarta-feira, 11, que parte das revelações sobre as atividades da
Agência Nacional de Inteligência (NSA) americana levanta questões
"legítimas" de países aliados sobre a maneira como esse setor atua, mas
disse que considera "distorcidas" algumas das informações veiculadas
pela imprensa sobre as atividades de seu serviço de inteligência.
"Os EUA estão comprometidos a trabalhar com o Brasil para enfrentar essas preocupações, ao mesmo tempo em que continuamos a trabalhar juntos em uma agenda comum de iniciativas bilaterais, regionais e globais", afirmou a porta-voz. "O presidente busca assegurar que nossas atividades sejam consistentes com nosso interesse nacional amplo, incluindo o relacionamento com nossos parceiros-chave."
O encontro desta quarta faz parte da tentativa de ambos os lados de viabilizar a visita de Estado da presidente Dilma Rousseff a Washington, marcada para 23 de outubro. O Brasil ameaça cancelar a viagem em razão das revelações de que a NSA monitorou comunicações da presidente. A situação ficou ainda mais tensa depois dos indícios de que os Estados Unidos espionaram também a Petrobrás.
Prazo. Em encontro com Obama na Rússia na semana passada, Dilma havia dado o prazo até esta quarta-feira para que os EUA apresentassem "medidas necessárias" para contornar a desconfiança criada pelo episódio e criar condições políticas para viabilizar a viagem. Figueiredo, que iria para Nova York na quarta à noite, ficou em Washington e terá outros encontros com autoridades americanas nesta quinta-feira para discutir o assunto. O ministro cancelou uma entrevista que daria na quarta à noite para falar sobre a reunião com Susan Rice.
O diretor do Brazil Institute do Wilson Center, Paulo Sotero, avaliou que a divulgação da nota e a permanência de Figueiredo em Washington são indícios de que os dois países estão dispostos a encontrar uma saída que viabilize a visita.
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