segunda-feira, 26 de agosto de 2013
Patriota deixa comando do Itamaraty em meio à crise com Bolívia
REUTERS
BRASÍLIA, 26 Ago (Reuters) - O embaixador Antonio Patriota deixou o
comando do Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira, em
meio à crise com a Bolívia, e será substituído pelo representante
brasileiro na Organização das Nações Unidas, Luiz Alberto Figueiredo
Machado.
De acordo com o Palácio do Planalto, Patriota pediu demissão do cargo. O
embaixador, que estava à frente do Itamaraty desde a posse da
presidente Dilma Rousseff na Presidência em 2011, foi indicado para a
representação do Brasil na ONU, no lugar de Figueiredo.
Durante o seu mandato, o Brasil assumiu dois importantes cargos em
organismos internacionais: José Graziano foi eleito diretor-geral da
Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e
Roberto Azevêdo a chefia da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A Bolívia está pedindo explicações ao governo brasileiro sobre a fuga do
senador boliviano Roger Pinto da embaixada brasileira em La Paz, neste
fim de semana. O Brasil concedeu asilo político a Pinto, em meados de
2012, mas as autoridades bolivianas não concederam ao senador um
salvo-conduto necessário para sair do país.
O encarregado de negócios da embaixada do Brasil em La Paz, Eduardo
Saboia, assumiu a responsabilidade pela fuga do senador e disse ter
agido sem autorização de seus superiores, porque o político de oposição
estava deprimido e ameaçava cometer suicídio após 15 meses refugiado na
sede diplomática.
O senador boliviano fugiu a bordo de um carro da embaixada brasileira,
que percorreu 1.500 quilômetros até cruzar a fronteira, sem que as
autoridades bolivianas ficassem sabendo.
A fuga do senador, um crítico do presidente boliviano, Evo Morales, e
que é acusado de corrupção em seu país, gerou tensão entre Brasil e
Bolívia.
O chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse nesta segunda-feira que
a fuga do senador com a ajuda do diplomata brasileiro viola os
convênios internacionais.
Figueiredo, 58, foi nomeado como representante do Brasil na ONU no final
do ano passado. Antes disso, foi subsecretário-geral de Meio Ambiente,
Energia e Ciência e Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores e
um dos negociadores da conferência ambiental Rio+20, que o Brasil sediou
no ano passado.
(Por Eduardo Simões)
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