domingo, 24 de fevereiro de 2013
Mais uma herdeira do clã? Maranhense de Itapecuru afirma ser filha de Sarney
Da Redação do Portal
AZ
O Jornal Pequeno divulgou neste
domingo (24) que, uma servidora federal natural do município de Itapecuru Mirim
(MA), distante a 104 km da capital São Luís, afirma ser filha do ex-presidente
da República e do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP). Silene do Socorro
Nogueira Araújo (foto abaixo), de 54 anos, já teria pedido a realização de um
exame de DNA. Os advogados que patrocinam a causa são os piauienses Helbert
Maciel e Leonardo Augsto Raulno Pereira.
Segundo o jornal, há quase 10
meses o processo de Ação de Investigação de Paternidade (AIP) que envolve José
Sarney, foi aberto na 2ª Vara da Família de Brasília e tramita sob sigilo no
Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF). O jornal afirma ainda que, o
advogado do ex-presidente da República teria pedido a suspensão do processo, e
não fala sobre o caso alegando segredo de Justiça.
José Sarney tem três filhos do seu
casamento com Marly Macieira; Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão, o
deputado federal Sarney Filho e o empresário e engenheiro Fernando Sarney. Além
disso, Sarney possui 57 anos de carreira politica e no último dia 1º, deixou o
cargo de presidência do Senado, que agora é ocupado por Renan
Calheiros.
Leia na íntegra a reportagem do
Jornal Pequeno:
POR OSWALDO VIVIANI
Há quase dez meses, tramita sob
sigilo no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) um processo de Ação de
Investigação de Paternidade (AIP) envolvendo o ex-presidente da República e do
Senado Federal José Sarney (PMDB-AP).
O processo foi aberto em 4 de maio
de 2012, na 2ª Vara de Família, em Brasília, sob o número 2012.01.1.063782-8. Na
inicial do processo, documento a cujo teor o Jornal Pequeno teve acesso, a
servidora federal Silene do Socorro Nogueira Araujo, de 54 anos, nascida no
município maranhense de Itapecuru Mirim (a 120 quilômetros de São Luís), afirma,
por meio de seus advogados, ser filha biológica de Sarney e pede a realização de
um exame de DNA.
No documento, os advogados da
proponente, Helbert Maciel e Leonardo Augusto Raulino Pereira – com escritório
em Teresina (Piauí) –, relatam que José Sarney teve um envolvimento com a mãe de
Silene, Izaura Nogueira Araujo, em Itapecuru, “nos idos de 1957”, sendo que,
como fruto desse relacionamento, segundo a inicial do processo, nasceu Silene,
em 18 de maio de 1958.
Diz a inicial:
“O vistoso jovem de Pinheiro (MA),
radicado em São Luís, aos 27 anos já titular da cadeira 22 da Academia
Maranhense de Letras e promissor deputado federal pela UDN, além de advogado de
escol, se engraça e se encanta com a linda morena que conhecera por essas
viagens políticas.
Em outubro de 1958, haveria
eleições para a Câmara dos Deputados, e ele tentaria obter o primeiro mandato
próprio, não mais suplente como então.
Católico fervoroso, inteligente,
culto, sagaz no trato político, habilidoso com o sexo oposto – o que, por certo,
herdado do pai –, não foi difícil ao jovem deputado conquistar o coração de
Izaura, quiçá ‘Saraminda’.
José Sarney passou a visitar com
frequência, não apenas por interesses políticos-eleitorais, Itapecuru Mirim.
Izaura, por vezes, em períodos de eleições, oportunidades para encontros, ia de
avião a comícios em cidade próximas, muito embora fato incomum, mormente naquela
época, a pessoas de poucas posses”.
Hoje divorciada, Silene Nogueira
Araujo tem duas filhas – uma de 33 outra de 34 anos –, e mora atualmente num
bairro de classe média de Recife (Pernambuco).
De férias em São Luís (onde tem
parentes), Silene aceitou falar ao JP:
“Minha mãe, até sua morte, em
2003, aos 72 anos, guardou segredo sobre quem era meu pai. Ela nunca me falou
nada. Mas eu cresci ouvindo as pessoas que conviviam com ela sempre mencionando
seu relacionamento com o Sarney, que ele a levava nas campanhas políticas, até
de avião. Também falam até hoje da minha semelhança física com Roseana [Sarney,
filha do senador, atual governadora do Maranhão]. Minha infância e adolescência
foram normais. Só achava estranho minha mãe nunca me falar nada sobre meu pai.
Cresci sem essa referência da figura paterna, mas sempre fui tratada como uma
princesa. Nunca me faltou nada, embora minha mãe fosse muito pobre. Tanto que
aos 15 anos pude sair de Itapecuru para frequentar o Liceu Maranhense, em São
Luís, onde terminei o Segundo Grau”.
Silene fez questão de enfatizar ao
JP que seu maior interesse com o processo para investigação de paternidade “não
é financeiro e sim para esclarecer a verdade”.
Também afirmou que só está
quebrando o segredo de Justiça – que ela mesma pediu – porque “o senador Sarney
está tentando obstaculizar o processo de todo jeito, usando de todo o seu poder
para que ele não vá adiante”.
O JP apurou que José Sarney, por
meio de seu advogado, Eduardo Antonio Lucho Ferrão, já comunicou à Justiça que
não aceita fazer o exame de DNA voluntariamente, e entrou, em setembro, com um
agravo regimental para interromper a tramitação do processo. Os advogados de
Silene recorreram e ambas as partes aguardam a decisão judicial sobre o
agravo.
Outro
lado – Contatado pelo JP, o advogado Eduardo Ferrão respondeu, por
e-mail enviado no início da tarde de sexta-feira (22):
“É regra legal inafastável que o
advogado não pode comentar quaisquer processos por ele patrocinados e que
tramitam sob segredo de Justiça”.
Silene encontrou Sarney numa
igreja, em São Luís, e lhe disse: ‘Sou tua filha’
Num trecho da inicial do processo
de investigação de paternidade envolvendo José Sarney, os advogados da
proponente, Silene do Socorro Nogueira Araujo, relatam um encontro que ela teve
com o senador, na Igreja de São Luís Rei de França, no Calhau, em 2011.
Veja:
“Igreja de São Luís Rei de França,
Calhau, São Luís, 4 de junho de 2011. Missa comemorativa dos 100 anos [que
teria, caso viva] de dona Kyola, mãe do senador José Sarney.
Presente, a autora [Silene
Araujo], que já juntara os fatos, dirigiu-se à autoridade ali posta: ‘Sou tua
filha, filha de Izaura!’
Um sorriso brotou no semblante
firme do presidente do Senado Federal. Sorriso terno, sob o vistoso e
característico bigode.
Mas também sorriso intrigante,
seguido por passos seguros – entre familiares, assessores e seguranças –, por
cumprimentos efusivos, partidos de amigos, transeuntes e políticos.
E do sorriso restou a certeza. É a
autora filha do réu!
A prova pericial científica assim
esclarecerá”. (OV)
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